Eu vi um sorriso morto, Nos lábios mortos de uma coisa viva.
Preciso encontrar o controle Já não sei onde posso chegar Se dias já não são mais dias E noites não me fazem esperar.
Contra capa do meu escuro Lástima do mar caminho Submerso com o tamanho frio Entidades que afogo até o abandono.
Eu vi um sorriso morto numa foto E eu queria morrer neste momento.
Á Ian Curtis
Terça-feira, 16 de Junho de 2009
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b.muniz
the farewell of fire
A sua alegria me cedou tarde em finais de tardes
Assim como a sombra que rasteja como um escravo.
Lamento por ter conhecido vocês
Lamento por terem me conhecido
Iludido, estúpido, coerente
Lado a lado com malditos
Cretinos como eu, pessoas fodas demais.
Dos rostos mais puros aos mais tardios
Sentindo febre nos piores dias
Agonizante tema da maravilhosa vida
A tragédia escrita sempre foi vivida.
A vida é um laço pavoroso
Um lastimável tiro de cocaína
Um paraíso desejante
Um sabor de sangue e fraqueza.
Sentir dor está sendo raro como discos velhos
A não ser a dor que provoco quando tenso
Penso em decair, mas nunca!
Nuca serei um filho da puta.
Meu viver é hippie
E estou cansado
De vida em vida, saltando as poças
Daqui pra frente:
O norte mepertence!!
Quarta-feira, 6 de Maio de 2009
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b.muniz
Irmãs (Bruno Muniz)
As duas. Tem que ser as duas Se não as tenho juntas me sinto separado. ******************* Bocas. Uma só não me sacia Uma só não me devora Uma boca só não rola. ******************* Sinto amor como ninguém Duplificado, irônico e machista. Amor por uma, Amor pelo mesmo sangue da outra. ******************* Em uma vejo fogo Na outra encontro abrigo Nos olhos de uma saudade Nos olhos da outra, sentido. ******************* Cárcere, corrosão Paixão avassaladora e desmedida Coração dividido e amante Unção perigosa desmerecida. ******************** Frio das constelações mais distantes Amor pelas duas, estrelas prediletas Irmãs, imãs, algoz Para uns lua e estrelas Para mim dois sóis.
quando você se abaixa pra pegar um disco com seu vestido curtinho delicioso aparece a calcinha no rego moreno da bunda curto muito meu olhar derrete de prazer não há como enganar a evidência desculpe o volume do lado esquerdo da calça sem cueca com tesão não se trinca antes todos entendessem e se dedicassem de corpo e cama
obs.: meu pau esquecidamente duro cai no esquecimento
Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008
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b.muniz
Recordação (Cecília Meireles)
Agora, o cheiro áspero das flores Leva-me os olhos por dentro de suas pétalas.
Eram assim teus cabelos; Tuas pestanas eram assim, finas e curvas.
As pedras limosas, por onde a tarde ia aderindo, Tinham a mesma exalação de água secreta, De talos molhados, de pólen, De sepulcro e de ressurreição.
E as borboletas sem voz Dançavam assim veludosamente.
Restitui-te na minha memória, por dentro das flores! Deixa virem teus olhos, como besouros de ônix, Tua boca de malmequer orvalhado, E aquelas tuas mãos dos inconsoláveis mistérios, Com suas estrelas e cruzes, E muitas coisas tão estranhamente escritas Nas suas nervuras nítidas de folha, -- E INCOMPREENSÍVEIS, INCOMPREENSÍVEIS.
Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008
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b.muniz
Holliwood red
Dividido e culpado Volto a dormir entorpecido. Grito quando é dia Amanhecendo negro entre as cores da vida. “Hatful of hollow” Segue essa trajetória submersa Copos vazios, alma lacrimosa Juras de eterna afeição, Nas ilusões e desvios do comportamento. Flores vermelhas cortando a noite Velas acesas no cemitério impuro Juro ser útil à palavra, Ao inutilizar o meu perfeito estado. Dividido e culpado Coroado, corroído Cuspindo a excreção do cigarro Hoje: Devo dormido durante horas. Leva nos seus braços Meu abraço transtornado Meu olhar fora de foco Meu fino comportamento diante de todos O abismo que se abre agora: Não, não é coisa nova É um velho de barba e cabelos grisalhos.
Bruno Muniz
Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008
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b.muniz
Madame XI
Boca que nenhum encanto trará
desejo que por outrolado se destina
criada porpedaçosextintos
feminina bocapara bocas femininas.
O ouro do cabelo, a cicatriz
o tom de mar abertoque seus olhos trazem
flor predileta,espinhos venenosos
os homens porvocê, morrem
as mulheresficam marcadas.
A intensidaderadiante do seu rosto sem esforço toca lá nofundo
fragmentaqualquer muro
descongela qualquer corpo.
Você élua nova novéu da noite
águamarinha, turquesae turmalina
uma sofisticada aparição exposta de uma lua nova e remota.
bruno muniz
Terça-feira, 19 de Agosto de 2008
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b.muniz
All star velho nos pés, calça preta, uma camisa preta de uma banda de Manchester e um cigarro entre os lábios, este sou eu. muitas vezes vestido de outra forma, mas tenho a leve impressão de estar assim todos os dias. viro a cara para a vida em alguns aspectos (a minha). todavia, acabei por descobrir que meu pau não foi feito pra subir para todas as mulheres, só para as melhores, ou seja: aquelas que despertem em mim uma atracão ou um motivo maior, que vá alem do instinto e do lado estético... físico... deixo claro que não condeno pessoas que se encontram, transam e se reencontram um dia e transam de novo. não condeno, só não sou assim. porque é tão legal comer todo mundo? muitas vezes parecemos robôs programados para "meter e tirar" em qualquer orifício que se apresente, porque nos desfazemos de pessoas que nos traem? essas pessoas também são programadas para "meter e tirar", essas pessoas também são traídas no oculto e obscuro intimo da personalidade humana. exigimos muito o que não podemos fazer e é por isso que a vida sexual anda tão amadora. porque é tão difícil amar? será que o amor existe? existem tantos casamentos, tantas juras, tanta gente casada e apaixonada indo a motéis com outras pessoas. existem pessoas que acreditam possuir um amor eterno, no entanto se masturbam pensando em pessoas próximas ou se "aproximam" de um alguém desta forma tão criativa e anonima. estes são os meus olhos vadios; observadores e nada conservadores. realistas e ignorantes. eu já gostei de futebol, eu torci por um time. depois achei melhor ouvirlegião urbana. não tenho herpes, não gosto de camisinha, não sou pós graduado e não acredito no amor. eu vejo na humanidade o mesmo que a humanidade vê nos ratos.
Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008
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bruno*
Me perdoe! Como eu fui idiota!
Sabe, é que eu nunca olhava as mensagens no orkut, porque você não me avisou? Eu até estranhei o "resto de um poema"...
AGORA é que eu estou vendo as mensagens que você me mandou, sério! Eu ignorava aquela parte do orkut! Nunca tinha visto nada por ali, porque a galera só mandava propaganda, convite pra comunidade, correntes... AGORA foi que eu vi as coisas lindas que você escreveu! E sabe o que eu estou fazendo agora? Enxugando as lágrimas que vieram ler as mensagens comigo, rsrs.
Poxa, eu não acredito que você disse isso! É claro que você tem valor pra mim, meu anjo! Muito valor!! Muito!!
Eu é que não mereço o carinho que você me dá. Eu também TE AMO!! Do meu jeito, mas te amo!
Eu estava certa: quando te olhava de longe na praça, abraçado com aquela menina...¬¬ sentia um ciúme tão grande! quando, naquele show atrás da igreja, ela foi te dizer alguma coisa no palco...lembra? acho que não, foi uma coisa tão irrelevante, mas eu fiquei olhando... querendo ser ela rsrsrs. De forma que eu nem acreditei nas coisas que não param de acontecer, não acreditoque você está gostando de mim. Ah, acredito quando estou otimista, eu te adoro!
Você foi o que de mais doce aconteceu naquelas férias, com meus avós doentes...eu tive tanto medo quando estava me despedindo de minha avó...com medo de ser a última vez que eu dei um beijo em sua testa, ela está muito doente, você me viu chorar? Eu chorei muito, olhei a casa se afastando. Olhei o chafariz ficando pra trás, o bar vermelho, procurei seu rosto e não vi! Também, eu já sou míope, e ainda mais chorando...só via os vultos quando conseguia abrir os olhos. Minha vida aqui é outra. Outra. Eu desliguei o celular no ônibus, por que sabia que ia dormir a viagem inteira e ia encher o saco da galera, ia acordar todo mundo, pensei ser melhor desligar. Mas eu consegui encharcar o travesseiro. Adormeci naquela noite lutando pra não soluçar. Seria ruim se...(irmã) (na cadeira ao meu lado) ouvisse meu choro. Estava me sentindo sufocada. Sufocada como me sentia ao seu lado e ao lado de... (o outro alguém)
Sim... (o outro alguém) me deixou mal, ele dizia estar gostando de mim também e isso me preocupou, eu não queria fazer ninguém sofrer, mas ele sofreu. E você também. E eu também. É inevitável.
Mas isso é novo pra mim, não to acostumada com isso: alguém gostando de mim. Eu que sempre fui mal-correspondida, nessas coisas de amor. Eu não sabia como agir aí na Bahia, Bruno. Olhava seu rosto, olhava... (outro alguém) me olhava... isso me deixava triste, você nem imagina. Eu não queria que ele gostasse de mim, queria que ele me adorasse SÓ COMO UMA GRANDE AMIGA, nada mais que isso. Foi tudo muito inusitado pra mim. Mas... que é que eu vou fazer? Como diria Cazuza... (risos)
Pois é, Bruninho...já escrevi demais. Você vai acabar ficando com preguiça de ler, rs
Beijos e mais beijos, te adoro.
*não revelei a autoria desta carta por dar importância apenas ao seu conteúdo.
Terça-feira, 12 de Agosto de 2008
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b.muniz
Carta ao poeta*
"preciso encontrar o medo para não ter medo de ter tristeza". Qual o mal que aflige o poeta e o menino (tão menino) bruno? Felicidade plena não há e o que nos enriquece é a dor, no entanto não estamos fadados do sofrimento. Chega de determinismos. Chega também de litertices poeta, tu não necessitas de ser um bicho esquisito para ser humanizado... sofremos nós em rios de sangue, porque somo 'todos', porque carregamos partículas dos outros em nós e isso é fascinante, portanto as ideias e sensações são universais. Nada em verdade nos pertence...('nosso' corpo, 'nosso' rosto) tu não transforma a poesia em palavras, a poesia é que manifesta-se em ti deste modo. Tua parte feliz está em ti. Nunca nos outros, nunca em quem fala outras linguagens a não ser a dos teus olhos. quem sabe? que o poeta viva amores reias (e nada de coisas subtendidas) seja simplesmente um homem.
adeus!
*não revelei a autoria desta carta por dar importância apenas ao seu conteúdo.
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b.muniz
TRAUMA
O passado me põecorda no pescoço Quando pensono tropeço: Tento chegar“aos finalmentes” Mas a dor indanão é o bastante Aindatenho forçaspra me retrair. O passado me põe arma na mão E em seguida mepõe na cabeça, Que eu devoser fraco E põe aarma também. O passado acabou comigo Retirou um meiosorriso amarelo E deu esseolhar corde chumbo Olhartempestuoso!
Intransmissível e irreversível. O passado é presente O futuro é passado Vivo trancadoneste quarto Vivo chorando comesses discos O passadome deixou puto O passadofodeu com tudo Iluminou de breu o espírito Fragmentou o bomsenso e o senso crítico.
Procurei pela noite a decisão decisiva esses cantos vazios me lembram você.
Que era cheia de mistérios; as vezes me olhava de forma bonita em outras... me consumia de forma egoista.
Minhas lembranças ficaram no passado, lembro de todas as fotos queimadas juras eternas que morreram sem explicação a emoção ridicula ao ver num velho livro, nós, num domingo sujo de poeira.
Os dias aumentam a distância se você está perto, se nossos olhos se cruzam tenho quase quase certeza de que não existo talvez tenha ficado numa antiga tarde olhando a penumbra.
Ao meu lado você era triste não entendia o que eu via era um vicio silêncioso, um desacreditar, uma repulsa o amor, era uma falsa verdade.
A beleza etérea da vida adulta a juventude morta dos cabelos brancos Amores são mentiras! Amores são prisões! aos olhos, o desejo é casto ao corpo, o desejo é vasto.
eu, que tanto quis ser louco me perco na minha própria vida.
desejo a normalidade pra fugir deste buraco que se expande no meu corpo e me lança cada vez mais fundo na escuridão.
todos esses dias Todas. Essas. Novas. Pessoas. Emoções que se misturam a ameaça constante de um vazio perverso o sentimento de culpa e a acidez de uma tarde quente.
eu não sei amar. nunca aprendi a acreditar sou um plano mal eleborado, um desacordo de intenções sou vitima de arrependimentos e incertezas.
eu quero ser normal! não esse suicida sem sucesso esse cara perdido em vida, cheio de dores e falsos amores esse cara dopado de coisas não aceitas anonima pronuncia sob teu ouvido.